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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cantar à desgarrada

«O cantar à desgarrada é uma tradição de canto popular que se usou em todas as regiões do nosso país revestindo as mais variadas formas musicais: desde o fado aos cantares do Minho e dos cantares da Beira Baixa aos do Algarve.
Também no cantar de "saias" se usa a desgarrada:
Campo Maior que bem cantas,
As saias à desgarrada;
Ouvem-se belas gargantas,
De noite e de madrugada.»
(Francisco Galego. Campo Maior. Cantar e Bailar as Saias.)

domingo, 20 de julho de 2008

Feira de São Mateus

Existiu sempre uma grande rivalidade entre a população de Elvas e a de Campo Maior. Apesar disso, o povo de Campo Maior deslocava-se em carroças, devidamente engalanadas, puxadas por mulas, até ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade, por ocasião da Feira de Elvas.
Nos terrenos adjacentes faziam grandes bailes cantando as «Saias».
Algumas das quadras eram dedicadas ao Senhor da Piedade, enquanto outras manifestavam a rivalidade existente entre as populações das duas localidades.

Na feira do São Mateus
Muita coisa lá se faz
Uns arranjam rapariga
Outras ficam sem rapaz

O Senhor da Piedade
Tem vinte e quatro janelas
Quem me dera ser pombinha
Para poisar numa delas

Já Elvas se está queixando
Que não tem moças formosas
Chega-se a Campo Maior
Até as silvas dão rosas

Ao Senhor da Piedade
P'ró ano hei-de lá ir
Pouco lhe vou levar
Muito lhe vou pedir

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cantigas de saias

Pelas cantigas de "saias" perpassam os mais variados temas e preocupações: os fenómenos e mistérios da natureza; o sagrado e o profano; o apego e a saudade da terra natal; os sofrimentos e as alegrias; as situações que provocam tristeza e a alegria das festas e romarias; as angústias e as certezas; o cansaço provocado pelo trabalho duro e o orgulho sentido pelo que de útil e de bom se pode obter fazendo-o bem feito; a revolta pelas injustiças e pela má paga que se recebe; as ironias e os gracejos; a raiva e as amizades; o amor e a ternura filial; a religiosidade e as crenças; as dúvidas sobre a vida e sobre a natureza das coisas. enfim, todo um universo mental e social, todo um modo de ser, de sentir e de pensar que foi construindo as bases da cultura em que nos integramos.
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Menina por ser bonita,
Não cuide que mais merece;
Quanto mais linda é a rosa,
Mais depressa desvanece.

Galego, F. P. (2006). Campo Maior. Cantar e Bailar as Saias. Lisboa: Livros Horizonte

domingo, 18 de maio de 2008

Quadras

Fui lavar ao rio tinto
Cheguei lá sem o sabão
Lavei a roupa com rosas
Ficou-me o cheiro nas mãos.
Não tenho nada para te dar
Neste jardim do meu peito
Dou-te uma flor bem bonita
Que se chama amor-perfeito.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Quadras

Tanta laranja caida
Tanta laranja no chão
Tanto amor escondido
Dentro do meu coração.
A rua direita é minha
Vou mandá-la arranjar
Com biquinhos de alfinetes
Para o meu amor passar.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Saudade, tenho saudade
Do tempo em que eu não sabia
Que essa palavra saudade
Infelizmente existia

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Saias

(...) as "saias" tiveram sempre como região própria o Alto Alentejo embora possam ter chegado a outras regiões. As "saias" estiveram muito ligadas a um ponto de irradiação que, no século XIX e primeira metade do século XX, se localizava em Elvas, devido à romaria ao Senhor da Piedade, associada à Feira de São Mateus, no mês de Setembro.
A partir de meados do último século, esse centro de irradiação passou a ser Campo Maior, devido às Festas do Povo. Aliás, as "saias", actualmente, só são, habitual e espontaneamente, cantadas e dançadas em Campo Maior.
(...) As "saias" têm como suporte literário quadras populares, ou seja, pequenas composições poéticas para transmissão oral cantada.
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Canto saias, bailo saias,
Até ao romper do dia;
No tempo da minha avó,
Também assim se fazia.
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Galego, F. P. (2006). Campo Maior. Cantar e Bailar as Saias. Lisboa: Livros Horizonte

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quadras

Já Elvas se está chorando
De não ter moças formosas
Chegas a Campo Maior
E até as silvas dão rosas
Pus-me a contar as estrelas
Contei duzentas e doze
Com as duas dos teus olhos
São duzentas e catorze.
Eu vi minha mãe rezando
Aos pés da virgem Maria
Era uma santo escutando
O que outra santa dizia-
Os velhos que ontem viste
De calos nas mãos e pés
São aqueles que já foram
Tão novos como tu és
À entrada da avenida
Deu um ai meu coração
Tudo torna a renascer
Só a mocidade não
Eu fui ao mar às laranjas
Coisa que lá não havia
Vim de lá toda molhada
Com as ondas que o mar fazia
Nas ondas do teu cabelo
Vou-me deitar a nadar
Para fazer ver ao mundo
Que há ondas sem ser no mar
Meu amor se te parece
Que eu não tenho razão
Faz dos teus braços cadeia
Que eu me entrego à prisão
Eu vi minha mãe rezando
Aos pés da Virgem Maria
Era uma santa escutando
O que outra santa dizia
Há ondas, meu bem à ondas
Há ondas sem ser no mar
Há ondas no teu cabelo
Há ondas no teu olhar
Minha mãe quando morreu
Deixou-me no testamento
O coração que era d,ela
Com seu pobre sofrimento